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"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche
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Segunda-feira, Agosto 25
ESPÍRITO OLÍMPICO...
...DE PORCO!
Meus poucos desafetos sabem: é preciso uma dose cavalar de sacanagem pra me fazer tirar o time de campo. Quase sempre, inclusive, é preciso que essa dose se apresente sucessiva e descaradamente para derrubar minha fé no ser humano.
A maioria desses elementos que me decepcionaram, até hoje se gabam por atribuírem seu êxito ao fato de serem são intelectualmente mais espertos que eu. Julgam terem superado a si mesmos ao burlarem minhas defesas emocionais.
Estão cobertos de razão. Por se gabarem e por terem concluído que sou ingênua e crédula demais. Mas, o verdadeiro mérito mesmo, está na persistência que tiveram. Já que, me enganar é fácil, o difícil é me fazer dar conta disso.
Deve ser muito irritante você ser tão pérfido e articulado, tantas vezes seguidos e, ninguém perceber. Não deve ter graça nenhuma sacanear alguém e esse sujeito continuar achando que você jamais seria capaz de fazê-lo.
Por calo profissional justifico tudo e a todos o tempo todo. Sempre encontro razões para explicar até mesmo as piores atitudes. E, caso não encontre, vou logo dizendo que a culpa foi minha de ter permitido tornar-me alvo.
Pessoas muito assertivas e verborrágicas como eu, dão a falsa impressão de que jamais se ressentirão, e que se acontecer, partiremos logo para a porrada. É um engano grosseiro.
Sou muito boa em argumentações lógicas e é justamente isso que me impede de empreender discussões acaloradas com quem julgo ter atitudes sem lógica nenhuma. Que dirá então a agressão física. Sou refratária a ignorância de qualquer natureza.
Tenho apenas um registro em toda minha vida de um momento que eu perdi totalmente o equilíbrio e entrei em uma discussão absurda, sem pé nem cabeça, sem igualdade intelectual inclusive, com um desses elementos inferiores.
Na ocasião, esqueci por completo que as perguntas indignadas que motivam uma discussão, quase sempre já foram respondidas pela própria atitude maléfica do outro.
“Porque fez isso comigo?” O que foi que eu te fiz? Ou mesmo o famoso “Não acredito que fez isso!” soam como redundância e são ridículas retóricas para o ouvido do interlocutor mal intencionado.
Aliás, discussão é um dos objetivos do sujeito. Diante de uma limitação visível, perceber a incompreensão de quem ele sempre julgou mais esperto que ele, já o faz sentir-se superior e vencedor.
Adotei, então, a seguinte postura: Já que não consigo mesmo deixar de justificá-los em suas próprias limitações como seres humanos maus, faço disso as razões nas quais me apoio para afastá-los definitivamente de meu convívio.
Se precisam de muitas justificativas está provado que me equivoquei na mais primária delas: as razoes para tê-los julgado pessoas boas.
Em outras palavras: estão perdoados. Desde que se mantenham o mais longe possível de mim e, de tudo que amo. Como provaram serem irracionais, adoto a postura da lei de sobrevivência selvagem.
Mas, convenhamos, está muito difícil manter a distância de seres assim. Fazem escola, proliferam como ervas - daninha e nos ameaçam com o risco de ficarmos sozinhos, ilhados e em minoria.
Em tempos de olimpíada esse comportamento competitivo-destrutivo fica ainda mais evidente. Impressiona perceber que rivalidade é mesmo uma das palavras mais erroneamente empregada entre esses seres humanos.
Os meninos do vôlei de prata, por exemplo, agora são comparados á um ouro feminino que há quatro anos foi desperdiçado- por elas. Os chineses e os americanos extrapolam a rivalidade olímpica pautados num ódio político-bélico atual.
Compararam o negro jamaicano, fenômeno do atletismo, com o branco e bem criado nadador americano. Adivinha quem ganhou?
Disseram até que nós, brasileiros, somos mais chorões porque somos latinos. Que o resto do mundo é frio e calculista. Duvido que alguém esperava ver o Phelps chorando - oito vezes.
Antes diziam que as russas eram boas atletas porque eram obrigadas por seu governo ditador, que as cubanas eram nossas rivais e que os argentinos... Ah! Desses estão dizendo que “duas medalhas de ouro não mata a fome do povo, nem motiva panelaço”.
Outro dia, num certo BBB, uma menina jogadora de futebol foi apontada, como “sapatão”, hoje as meninas de prata do futebol brasileiro são guerreiras, heroínas sensíveis, injustiçadas e femininas.
A culpa, concluo, é do Michaelis e do Aurélio (que por sinal, também são adversários). Ambos em sua definição conceitual apontam as palavras, “adversário” e “inimigo”, como sinônimo.
Além disso, um deles chega a sugerir que ambas querem dizer o mesmo que luta, inveja e raiva.
Valha-me Deus! Por sorte, Pequim ficou no passado. Quer dizer, mais ou menos, já que por “rivalidade” com os americanos, a cidade e, toda a China, anda se modernizando. Inclusive, em seu poder atômico!
Quero ver, então, pra quem iremos torcer...
- posted by Mara
Quinta-feira, Agosto 21
NAS ENTRELINHAS...
...LINHAS! ORAS BOLAS!
Juro que comecei esse texto de maneira original. Pensava em deixar fluir os pensamentos de maneira que não apontassem para nenhum lugar específico, e que traduzissem intuitivamente meus desejos e anseios.
Mas, se tivesse conseguido concluí-lo com essa meta, não teria sido um movimento inédito. Essa é, via de regra, a práxis que sempre me guia quando escrevo – aqui ou para qualquer outro veículo.
Essa pequena indecisão temática remeteu-me ao centro dela mesma. Ou seja, aos objetivos, as motivações e até mesmo os interesses que estão associados à decisão de escrever sobre esse ou aquele tema.
Já me defendi inúmeras vezes da acusação de, em meus textos, insinuar muito mais do que afirmar. De utilizar de subterfúgios textuais para expressar pensamentos de maneira metafórica ou até mesmo subliminar.
O que poucos percebem é que a liberdade de interpretação é proporcional a liberdade do escritor de expressar-se como sabe ou como deseja. Assim, escrevo o que quero e quem lê, o faz também com igual individualidade.
Assim vão surgindo os afetos, as críticas, as concordâncias e, claro, os opositores. Não gostaria de imaginar o que escrevo como uma novela romântica que depende da aprovação e interferência de quem lê para manter a “audiência”.
Isso até pode soar pouco democrático. Ou até sugerir um “quê” de arrogância mas é, acreditem, o mais perto do que acredito ser a definição de respeito mútuo. Se esse exercício afasta de mim o populismo e a massa, concluo que não gostaria mesmo de tê-los comigo.
Enquanto escrevia, a palavra “demagogia” insistia em querer ser digitada, mas como não tenho muita simpatia por ela, tentei ignorá-la. Apesar dos meus esforços, nenhuma outra parecia melhor definir o que tento evitar ao escrever seja lá qual for o tema.
Então, pensei em uma crítica bastante comum que os internautas recebem: a “Wikipédia mania”. Tão utilizada quanto criticada, essa enciclopédia livre, tem sido a salvação de muitos e “droga adição” de outros.
Particularmente, eu só tenho elogios. Principalmente no que toca á busca de arquivos acadêmicos. Muita coisa boa estaria empoeirando nas prateleiras das bibliotecas acadêmicas não fosse esse imenso catálogo de ofertas.
Resolvi então, juntar os dois temas. A Wikipédia a famigerada “demagogia”. E o resultado foi surpreendente.
A primeira coisa que me chama a atenção é que caso a Wikipédia fosse um blog, teríamos um desequilíbrio nos fundamentos que regem a blogosfera. Estaria perdido o principal ofício do “comentarista profissional”: a análise das entrelinhas do blogueiro.
Não é segredo pra ninguém que existe uma enorme parcela de comentaristas especializada em decifrar sob uma ótica bastante particular, aquilo que o blogueiro quer dizer. Ainda que ele não queira dizer absolutamente nada.
Extrapolam as análises textuais e semióticas. Utilizam recursos telepáticos e extra-senhoriais, muitas vezes, pautados em seus próprios infortúnios ou traumas anteriores relacionados ao autor dos blogs que freqüentam.
Mas, voltando ao assunto: Foi na Wikipédia que encontrei a melhor definição para a palavra demagogia e, onde por conseqüência, extrai um farto material para esses “comentaristas- analistas” se deliciarem na tentativa de encontrar o alvo por trás de meu interesse em reproduzir tal definição.
Assim, mãos a obra: Duvido que ao ler, não concordarão comigo que quem escreveu parece conhecer bem o universo de blogueiros.
Esta lá: “Demagogia é conduzir o povo a uma falsa situação. Dizer ou propor algo que não pode ser posto em prática, apenas com o intuito de obter um benefício ou compensação.
Dizem os manuais que o demagogo, na sua expressão grega primitiva, era apenas um condutor do povo, sem qualquer sentido pejorativo, e, como tal, intimamente ligados à defesa da democracia.
Contudo, a expressão sofreu uma evolução semântica, deixando de ser uma arte neutral, quando surgiram novos líderes, e começaram a ser fortemente criticados pelos adversários dos modelos democráticos.
Por causa disso é que a expressão ganhou a actual conotação:
aquele que procura dar voz aos medos e aos preconceitos do povo. Ou, nas palavras de Bertrand de Jouvenel:
a arte de conduzir habilmente as pessoas ao objectivo desejado, utilizando os seus conceitos de bem, mesmo quando lhe são contrários. (Essa parte eu achei o Máximo!!!!)
Aliás, já em Platão o nome serviu para designar o animal que chama boa às coisas que lhe agradam e más às coisas que ele detesta. Do mesmo modo, em Aristóteles, onde se acentuou que o demagogo utilizava a lisonja e os artifícios oratórios.
Lincoln chegou mesmo a assinalar que é sempre possível enganar uma pessoa; que é também possível enganar todos, mas de uma só vez; mas que é impossível enganar sempre todos. ( demora, mas é verdade!)
E vai por aí afora, traduzindo em palavras e abusando da filosofia para definir com precisão cirúrgica o que muitos de nós já havíamos assinalado, apontado e até esbravejado sobre diversos endereços da blogosfera.
Mas, antes que alguns se aborreçam comigo, me apresso em dizer que qualquer semelhança ou associação terá sido mera coincidência. E que não adianta buscar a mensagem nas entrelinhas do post de hoje porque o autor lá no Wikipédia é desconhecido!
Aliás, também estava lá: “Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e dados de confiabilidade duvidosa.
Poxa! Será que não dá pra confiar em ninguém nesse mundo cibernético?
- posted by Mara
Segunda-feira, Agosto 18
NÃO VOU CHORAR...
...NEM VOU ME ARREPENDER...
Desculpem. Calei-me o quanto pude, mas tem alguma coisa nessa Olimpíada me incomodando. Pensei ser o conformismo habitual do esporte brasileiro em apostar no clichê “o importante é competir”.
Mas, convenhamos, a tecnologia disponível para essa geração de atletas torna a máxima acima, arcaica e dispensável. Seria melhor dizer “o importante é estar enquadrado na mesma tela que os campeões nos minutos que antecede a competição”.
Tem sido uma olimpíada de poucas surpresas e muitas emoções. Emoções demais, eu diria. Nunca tantos choraram tanto em tão pouco tempo.
A torcida aumentou. Não me lembro de uma competição olímpica ter sido tão comentada e acompanhada como essa. As expectativas também aumentaram. As dos atletas e dos torcedores brasileiros.
É visível que uma nova modalidade surgiu dessa competição e já aponta os brasileiros como favoritos: “pedir desculpas”. Das duas, uma: ou os atletas confiavam muito na expectativa dos torcedores, ou os torcedores é que acreditavam demais nos anônimos atletas.
Não é incrível que num país com praias e clima como do Brasil quase ninguém tivesse ouvido falar das “meninas de bronze da Vela”, antes de hoje? Ou que Cielo tenha amanhecido “repentinamente” campeão?
Eu confesso que fiquei envergonhada em descobrir que o Eduardo Santos possui 190 medalhas, só depois que ele voltou pra casa após perder em Pequim.
Fiquei mais envergonhada ainda, em saber que a maioria delas foi conquistada com a faixa marrom, já que a preta estava financeiramente fora de seu alcance.
Não sei vocês, e não julgo quem não concordar, mas não gostei da maneira como a Daiane encarou a “pisada fora” repetitiva que a tirou da competição - outra vez! Achei muito descaso pra quem garantiu fama sem nunca ter sido de fato campeã.
Gostei mesmo é de ver o Gustavo Borges invadindo o “Cubo D’água” pra abraçar o nadador Cielo. Foi como se ele estivesse ali pra dizer: “á César o que é de César”.
Não adianta negar. Olimpíada é pra competir por medalha e não pra sair bem na foto. Até porque, chorando, ninguém fica mesmo muito bonitinho. E, chorar nessa olimpíada, foi expressão máxima de quem realmente sabia o que tinha ido fazer ali.
Em minha opinião, alguém precisava dizer ao Diego Hypólito que os brasileiros não tinham expectativa apenas nele, mas, em todos os que foram para China.
Talvez o problema tenha sido o acento. O judoca Eduardo desculpou-se com os pais, que jamais puderam proporcionar á ele o prestigio e o incentivo necessário. Mas, foi o país que aceitou o pedido.
Diego se desculpou com quem o fez pensar que o único lugar possível era o pódio. O país. Eu desculpei. Lamentei com ele. Mas, sinceramente? Não fiquei surpresa, nem decepcionada.
Fiquei aliviada. Talvez enviemos um Diego menos seguro da própria popularidade para as próximas olimpíadas. Talvez ele nos retribua com uma medalha menos esperada, menos apaixonada e mais competida.
Agora, vem cá: Foi lindo assistir uma Ana Paula chorando de saudade do filho depois de um mar de lágrimas derramado por medalhas que já estavam penduradas em pescoços já consagrados antes mesmo da competição.
Assim, com muitas emoções e poucas medalhas, segue a Olimpíada brasileira de derramamento de lágrimas. E quem ganha é a Globo. Em audiência e gafes.
Fico pensando em outra das expectativas brasileira: a de sediar uma olimpíada. Menos, bem menos, Lula. Ou melhor: mais, bem mais.
Mais incentivo, mais competições nacionais, mais política de popularização para certas modalidades. Isso pra dizer o mínimo! E, menos: Menos estrelismo, vaidade e falta de determinação.
Proponho que uma Olimpíada entre países candidatos a sediar os jogos, decidam quem sediará através de uma disputa de incentivos ao esporte. Ganha quem der mais condições aos seus atletas.
Quer saber? Uma Olimpíada que esconde um rosto infantil atrás de uma voz melodiosa alegando que não combinavam entre si, só podia dar mesmo dar nisso. Muita beleza e muita vergonha disfarçada de espírito olímpico.
É. O ar está carregado em Pequim. Mas, isso todo mundo já sabia não é?
- posted by Mara
Quarta-feira, Agosto 13
ESSE MEU GRANDE AMIGO...
...O TEMPO!
Ah! Nada como a felicidade para fazer com que olhemos as coisas de maneira mais condescendente. Nada como um roteiro perfeito pra que deixemos de ser tão críticos e desobedientes da máxima divina do perdoar nossos semelhantes.
Fazia tempo que não tinha notícias nenhuma. Pra dizer a verdade, há muito tempo deixei de me interessar por qualquer coisa que não mais estivesse diretamente relacionada a mim. Uma espécie de indiferença conseqüente.
Mas, sei lá bem por que, andei dando umas voltas por aí e reencontrei velhas figuras de um passado indesejável. Não me detive muito tempo, é verdade. Mas, qualquer tempo seria suficiente pra perceber que sou abençoada.
Estou feliz. E a continuidade genética de meu cachorrinho é apenas um detalhe dessa felicidade. Tenho vivido seguidos momentos de compensações por escolhas feitas em situações anteriormente angustiantes.
Algumas dessas escolhas, na realidade, nem poderiam ser chamadas assim. Aproxima-se mais da chamada “imposição circunstancial”. Simplesmente ocorreram sem que eu tivesse qualquer tipo de possibilidade de reação.
Em momentos como esses, somos naturalmente forçados a pensar no infortúnio que nos acomete com desespero e incompreensão. Nos debatemos contra os desígnios do que nos causa sofrimento e, por vezes, pensamos que não sobreviveremos.
Mas, o tempo passa, a “carruagem” segue e, aos poucos, a dor vai dando lugar á resignação. Entretanto, muito tempo é necessário até que nas entranhas dessa resignação o choque e o espanto se esmoreçam. Vez ou outra, somos abatidas pelos flashes indesejáveis do ocorrido.
Até que finalmente, um dia, acordamos e um grande “nada” se instalou no lugar antes ocupado por sensações e lembranças ruins. É assim. Simples assim. Tinham me avisado, mas quem acreditaria nisso quando tudo ainda está acontecendo?
Não tem nada pior que ouvir que o tempo irá remediar algo que naquele momento nos parece irremediável. Além disso, ás vezes, a dor é tanta que desejamos não esquecê-la para que ela nos sirva de alerta e precaução para o futuro.
Mas o “remediar”, nesse caso, nada tem a ver com soluções paliativas. Trata-se de gotas homeopáticas de compreensão e aceitação.
É um curar em todas as suas etapas: sanar os sintomas, descobrir a causa, diminuir os reflexos, prevenir as metástases e finalmente extirpar o agente causador.
Fantástico! Acreditem: a experiência é sensacional! Não sobra sequer um resquício de sentimento. Nada. No máximo, conservamos algumas referências como época, nome e, ás vezes, nem isso.
Sou mesmo abençoada. Sei disso porque pude perceber que esse “renascer” não é fato corrente. Que nem todo mundo consegue ou pretende livrar-se dessas amarras negativas do passado.
Muita gente faz desse contínuo de mágoa e sofrimento, um modo de vida. Elucubram, discursam, apregoam, exemplificam e até se descrevem através dessas passagens desagradáveis que viveram.
É. Seria hipocrisia pensar que não tenha sido desagradável também pra quem coadjuvou conosco dessas situações. Ainda que tenham sido responsáveis ou articuladores desses dissabores, duvido que não tenham colhido também parte do fel que destilaram.
Mas, enfim, um dia isso tudo acaba. Pra mim acabou. E, hoje, consigo rever registros de tudo como se fossem a composição de uma história escrita para assustar criancinhas. Os personagens maléficos encontraram o lugar merecido: o limbo.
Mesmo assim, não consigo evitar pensar: “Quanta bobagem!” “Quanta energia desperdiçada e quanto tempo perdido!
O fato é que sempre haverá uma razão. Por pior que as coisas pareçam, sempre haverá uma razão. E o tempo se encarregará de mostrar que “aquilo” era o melhor que poderia ter acontecido naquele momento.
É dessa constatação que extraio e justifico minha felicidade. Percebi em minha rápida observação que existem lugares que eu não gostaria mesmo de estar novamente. Que o fato de não mais pertencer á eles, faz de mim alguém realmente sortudo.
Há quem diga que isso é o famoso “aprender com a dor”. Eu diria que, ao contrário, esse é o aprender “apesar” da dor. E mais: sentir-se agraciada por ter sido poupada de um aprendizado ainda mais demorado e sofrido.
Ah! Nada como a felicidade para compreendermos as voltas que essa vida dá. Como é bom perceberemos que as coisas ruins não evoluem e tendem a ficar estagnadas enquanto seguimos tranqüilos com nossa consciência.
Então, que venham os maus. Mas, que se apressem, porque correm o risco de, ao chegar, não me encontrarem mais. Daí terão que me buscar num futuro feliz. Alcançado justamente por ter me livrado deles.
- posted by Mara
Segunda-feira, Agosto 11
UMA PONTE PARA O SEMPRE!
PAPAI MAXI:
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz...
- posted by Mara
Sexta-feira, Agosto 8
RAZÕES QUE FAZEM A VIDA...
VALER A PENA!!!!
Na foto, meu Maxi bebê. Cinco anos passaram voando e eu nem senti que ele havia crescido. Me dá tantas alegrias e tantas compensações que nem saberia enumerá-las. Nasceu no mesmo dia que eu, praticamente no mesmo horário e desenha com luzes neon o amor que partoilhamos.
Hoje, Maxi me deu mais um presente. Quem me conhece sabe o que isso representa pra mim!
Assim, comunico:
Nessa madrugada, ás 3 horas e 10 minutos, nasceram meus "netinhos". São 06 lindos cachorrinhos ( 3 fêmeas, 3 machos) com muita saúde e com menos de 10 cm de comprimento! A mãe, Nina Maria, passa muito bem e descansa depois de um exaustivo parto natural.
Dos seis, certamente, um deles ou delas será o mais novo membro residente da minha família.
o amor é assim: se multiplica!
Mara
- posted by Mara
Segunda-feira, Agosto 4
EGOS EM ESPIRAL...
ENTÃO TÁ!
Entendi. Finalmente entendi! Nada como acordar um dia e sentir-se tomada pelo súbito conhecimento pleno! Entretanto, junto com esse “saber” vem a constatação e compreensão de que retransmitir tal “insight” é mesmo a parte mais difícil.
Mas, apesar disso, vou tentar. Pois bem: Entendi que o que move absolutamente tudo na vida é a paixão.
Decepcionante? Esperava uma descoberta mais glamorosa? Eu também. Passei quase toda a vida cultuando explicações filosóficas, quânticas e até sobrenaturais para justificar determinados fatos conseqüentes de determinadas atitudes humanas.
E no fim, era apenas paixão! Bastava ter admitido que ela – a paixão – também me deslocava nessa busca frenética.
Paixão por idéias, conquistas, êxitos, reconhecimentos, aplausos, reciprocidades. Paixão por si mesmo. Uma espécie de idolatria bilateral egóica. Uma forma freudiana de perversão auto-exercida!
“Ame aos outros como a si mesmo”. Esta na Bíblia, nos livros de auto-ajuda e até nos livros de iniciação ao marketing publicitário. Quem entendeu se deu bem. Quem demorou um pouco mais para compreender, elucubrou. Apenas masturbou-se mentalmente.
Não há nada de altruísta no mandamento acima, como pode parecer. Ao contrário. É um apelo para que o narcisismo inerente possa ser multiplicado na medida em que nos relacionamos. Na medida em que esbarramos com os que já descobriram seu verdadeiro significado.
Quando brigamos, amamos, ferimos, somos feridos, competimos, ajudamos e até quando perdoamos, estamos á serviço dessa paixão egocêntrica. Buscamos o “nirvana”, o êxtase da plenitude do “eu”.
Clap! Clap! Clap! Palmas para quem já havia, muito antes de mim, descoberto essa verdade. Admito que parte de meus desafetos e decepções foi conseqüência de minha ignorância desse comportamento simples e eficaz.
Antes, nunca pude compreender que espécie de motivação poderosa poderia levar uma pessoa a submeter às outras a sucessivas descargas de indiferença aos seus sentimentos. A ignorar completamente seu papel na escala evolutiva dos seres tidos como racionais.
Pessoas excessivamente ardilosas e más ou ao contrário ingênuas e boas, sempre foram uma incógnita pra mim. Na insegurança, eu as fragmentava e procurava me ater em seus pequenos comportamentos, em suas isoladas manifestações de humanidade.
Vejo que fui primária e rasa. Era tudo paixão, ou qualquer outro nome que queiramos dar ao desmedido amor por si mesmo.
Concluo, agora, que não há nada de errado nisso. Alguém capaz de amar tanto só pode mesmo dominar o mundo. A história tem exemplos bastante ilustrativos desses espécimes “especiais”. Gente que parece ter sido pinçado do genérico para entrar para história.
É claro que “história” pode ser reduzida á um espaço-tempo. Pode ser boa ou ruim. Pode ser construtiva ou destrutiva. E, pode ser ainda, útil ou completamente desnecessária. Mas, haverá sempre alguém para copiá-la ou combatê-la.
Estou, confesso, chocada com minha ineficiência. Pasma por ter deixado que uma ultrapassada sensibilidade me fizesse deixar passar tão rapidamente em minha vida certos tipos assim.
Como devem ter se divertido de meus exagerados princípios, já que sabiam que não me levariam a lugar nenhum á não ser ao ostracismo. Vai ver é por isso que sempre desdenhavam minhas conquistas acadêmicas.
Imagino-os dizendo: “Tanto preparo e não entendeu o básico!”.
Tinham razão. Bastava que eu tivesse seguido a linha espiral em que transitam esses seres. Fosse assim, saberia que a tal linha termina sempre no ponto central. Neles mesmos.
Sou parte da massa. Da esmagadora maioria de coadjuvantes nessa constelação de “escolhidos”. Nasci e cheguei até esse ponto da minha vida sem ter tido o “eureca” essencial. Fazer o que?
Ainda não sei o que farei com essa descoberta. Talvez eu resolva reverter essa situação e apontar o dedo no nariz desses sábios manipuladores existenciais. Talvez eu me recolha à minha insignificância.
Talvez eu prefira o cômodo ostracismo. Ou, o não menos cômodo, lugar de observadora. A história também se fez com personalidades assim, não é verdade? Alguém tem que registrar os atos transcendentes desses “experts” em êxito.
Sinto-me melhor em saber que a máxima “antes tarde, que nunca” foi válida, ao menos dessa vez. Essa descoberta tardia, ao menos, me concede a possibilidade de ter opções.
Posso escolher em qual “história” quero estar configurada e sob qual protagonista estarei submetida. Além disso, posso também... quem sabe escolher fazer minha própria história, escrevendo-me como “mártir rebelde”.
Eu entendi. Mas, estranhamente, sinto como se isso fosse uma maldição e não a benção que deveria ser. A verdadeira face de alguns me parece mais aterrorizante que a máscara deformada que usam.
Enxergá-las pode ser um sinal de que devo me render ao óbvio: O mundo é deles! E minha “paixão” serve apenas para fragilizar-me diante de tanto poder!
- posted by Mara
Segunda-feira, Julho 21
FOTOGENIA...
…DA SOLIDÃO
Quantas vezes é preciso olhar para ver? Quanto tempo passa até nos acostumarmos com o que vemos? E, qual a distância desde o espanto até a banalização?
Sinceramente, fazia muito tempo que não pensava sobre isso com essa profundidade. Lembro-me da primeira vez que essas dúvidas surgiram. Na ocasião, tinha ante meus olhos a mais linda paisagem que já vi.
Um quadro pintado por um Deus inspirado e generoso. Mas, apesar dos meus esforços em defini-la, jamais pude concretizá-la a outros olhos que não fossem os meus. Por muitos anos, me bastou sabê-la.
Ainda que eu não queira. Sempre haverá um toque de solidão nessa “minha” paisagem. Impedida de compartilhá-la tratei de registrá-la em luzes e sensações - lembranças. Posso vê-la onde quer que eu esteja.
Não que ela não exista sem mim. Mas, talvez eu, deixasse de existir se não a houvesse encontrado. Resolvi voltar a vê-la. Abandonei meu olhar e me aventurei outra vez.
A experiência, entretanto, não se repetiu. Tudo estava igual como era antes: a descida íngreme, os telhados nevados em perspectiva, o asfalto molhado de colorido reflexo, o declive apoteótico que oculta as raízes de enormes pinheiros, o lago e o sol.
Tudo! Mas, o nada insistia. Estava preparada e não desisti. Tirei uma foto, ajustando o foco e medindo a distância. Através da lente, entretanto, me pareceu ainda mais ausente.
Arrisquei outro ângulo, e outro e mais outro. Tudo que consegui foi uma bela foto de uma bela paisagem. O frio congelou minha tristeza e por infinitos segundos contemplei minha incompetência.
Senti-me abandonada por quem fui. Pensei, qual teria sido o momento exato em que deixei meus olhos enganarem minha mente, ou vice-versa. Terá sido quando a vi deslumbrante ou, agora, nesse detalhe fotográfico perfeito?
Como atendendo aos meus apelos, a tristeza inoportuna e destoante trouxe de volta a imagem primeira. Então entendi!
É necessário o encontro. Coisas assim só se produzem como resultado da união do que pensamos não possuir com nosso extremo anseio em adquirir.
De perto, ninguém é mesmo normal. A convergência nubla a visão, confunde a mente. Funde o que somos com o que precisamos. Cria ilusões e paralisa os sentidos.
Olhei novamente as fotografias recém tiradas. E nelas, vi centenas de rostos, sorrisos, histórias e variadíssimas emoções. Editei minha lembrança.
Entendi a solidão que, antes desconhecida, me assustava: Aqui, do lado de dentro da lente de meus olhos, estou apenas eu.
Com um suspiro, apaguei a prova digital da minha solidão e segui sorrindo.
Ninguém, jamais, saberá o caminho que leva até minha alma. Não sem, antes, poder enxergar como eu.
- posted by Mara
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